O problema científico e as raízes sociais

O coração da escrita é o problema científico. O que chamamos de percepção sobre o que nos rodeia está estruturado no uso que fazemos de nosso tempo e espaço. Somos que inclinados ao nosso tempo, como dizem. São as inclinações que sofremos ao  longo da vida, nossa linha cronológica e que revela a existência individual associada aos acontecimentos sociais, da economia e da política. Penso na capa do livro Foucault de Gilles Deleuze para ilustrar. Um homem bem trajado veste no peito uma numeração 52; ele verte para frente numa elasticidade improvável numa prancha (um ultimato?) mas possível se assim for o desejo de um corpo que se estica como num ato de urgência, como se não fosse lhe dado outra possibilidade a não ser driblar as leis da natureza, tornando possível sua existência. Essa elasticidade além dos limites humanos faz-nos lembrar de nossa luta diária para vencer os inimigos criados no processo de subjetivação.  Subjetivação é um termo que diz respeito ao como respondemos aos embates com as coisas da vida, e como criamos nosso modo de ser. No campo macrossocial a subjetividade se articula junto ao espaço público, nas mídias, na moral pulsante, nas discussões éticas sobre os campos de decisões políticas, no processo que envolve conhecimento e direitos humanos, nas questões de assertividade no conhecimento promovendo a eliminação das desigualdades sociais e diminuição de infrações aos direitos humanos.

Para pensar num campo problemático complexo como esse que envolve diferentes disciplinas das áreas de psicologia, sociologia, filosofia, saúde, comportamento é preciso um método. Utilizamos o método filosófico para conectar as diferentes disciplinas, instituindo a questão em sala de aula do pensar sobre o exercícios de percepção das forças que nos constituem, que ocupam nosso pensamento, habilitam nossa forma de estruturar o pensamento. Na pesquisa de campo que hora realizo a problematização é: Como a prática da pesquisa pode se inserir na Metodologia de Pesquisa e tornar possível um pensamento integrador entre o exercício ético e a prática profissional? 

Essa escolha metodológica de fundamentar as perguntas científicas como o “quem,  o que, quando, como onde e porque” faz como que nos viremos para os fundamentos instituídos na linha que cruza em nossa vida os aspectos da macro e micropolítica. Com leitura de filósofos contemporâneos como Gilles Deleuze, Félix Guattari, Fernand Deligny e Michel Foucault, no qual nos atentamos mais profundamente agora, alço mão da ideia de que a teoria e a prática funcionam juntas e parto do princípio que o ato de lecionar requer integralidade entre o conhecimento e as práticas mundanas. Minha questão é aproximar os estudantes do conhecimento e do exercício ético do mesmo por meio da prática de pesquisar.

Pesquisa-se sobre o universal que nos atravessa: isso é o processo de subjetivação. A dinâmica para criar o ambiente de pesquisa e lidar com essa leitura se fundamenta na Psicologia Clínica e nos escritos de Deleuze e Guattari, no qual se compreende a criação da subjetividade a partir das dinâmicas políticas e econômicas, mas sobretudo investidas da capacidade de fazer prevalecer singularidades, modos de perceber e fazer…

Convite à pesquisa como o desvelar da inserção na realidade social de cada um, é propor ao estudante a prática e a vivência na pesquisa, ter a possibilidade de trazer sua própria experiência, fundamentar o problema científico na raiz de seus problemas individuais e coletivos.

 

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