Parte I – Ao começar a escrever

A fim de uma educação que se dirija ao lado mais potente do ser humano, minha proposta é estimular a produção de pesquisas acadêmicas em diferentes campos de trabalho que se afirmem como parte da existência dos estudantes, num plano micropolítico isso significa problematizar a própria vida, fugindo sempre do senso comum, de forma que isso origine uma engrenagem de realização que combina o pensamento e a ação em direção ao que se pretende realizar, quanto mais afim estiver a sua PROBLEMATIZAÇÃO, quanto mais voltada as questões que lhe são favoráveis de saber.

Ao escolher o tema, muitas vezes o assunto é muito falado. É ruim porque se você se limita a esse campo, do já existente, se você não tiver uma ideia que te jogue fora disso, uma novidade a ser apresentada, você não sai do senso comum. E é bom justamente por isso. Porque de repente você tem a possibilidade de fazer algo que surja diferente do que já foi dito.

Então começar a escrever tem haver com a narração do que é esse deparar com aquilo que te espanta, te perturba, te lança uma questão e está dentro desse outro plano do que parece ser comum, ordinário, repetitivo, seletivo, mas talvez seja daí mesmo sua provocação que leva a um olhar outro. Apesar do RESUMO ser a primeira coisa que você vai ler em um trabalho, ele foi o último a ser escrito justamente porque propõem mostrar o todo do trabalho, ao que veio, seu método etc. Mas aí é preciso fazer uma INTRODUÇÃO. Que consta nela a primeiridade com o TEMA, ou melhor o movimento do despertar para ele. A INTRODUÇÃO já saiu do âmbito do projeto, ela descobre, desnuda o seu objeto.

A percepção não vem de outro mundo, mas está inteiramente relacionada a este. A percepção é proporcionada pela QUESTÃO. É o COMO VOCÊ IRÁ PROBLEMATIZAR A SUA QUESTÃO? O que te instiga a ponto de pensar nisso, o que quer resolver?

Muitas vezes pode ser encontrada essa plena ligação da sua percepção com o que acontece não só em livros, mas a PESQUISA DE CAMPO abre também o campo de visão para novas descobertas. Traz a singularidade que se espera de um trabalho acadêmico, um artigo. Que ele tenha uma nova perspectiva para apresentar, seu universo do tema.

É preciso pensar lá no fundo aquilo que faz parte da sua experiência, da sua vivência, que você já observou, tem haver primeiro com algo que tem que surgir da experiência de vida de quem está a escrever. Ás vezes é uma coisa que você notou, e não falou com ninguém, quase que não passou de uma sensação, quase que você não transformou isso em palavras, é necessário uma atenção. Tem haver com uma primeira sensação, trazer essa sensação para a INTRODUÇÃO, essa primeiridade. Quanto mais a QUESTÃO é singular, mas ela se dá para outros territórios. Essa é a ideia.

Por exemplo, puxando a ideia de rede de Fernand Deligny sugiro a seguinte frase: “Parece que o assunto está oculto nas palavras como o desenho no tapete, é portanto, visível para quem se dispõem simplesmente a acomodação do olhar” ( DELIGNY, Ferdinand. O aracniano e outros textos).

A singularidade do olhar, a produção da teoria-prática de Foucault e Deleuze em Os intelectuais e o poder se engendra assim mesmo, no campo do comum. Parece ser no entanto não dado às certezas, mas em buscas de estratégias para fazer do PROBLEMA uma ordem de produção apenas o alvo das soluções, mas sim pensar sobre os PROBLEMAS, ouvi-los enfim, o que eles dizem? Reclamar ao seu entorno, ao seu cotidiano, de seu grupo, a formulação deste. Para isso podemos dizer que o método se origina no incentivo da produção de pesquisas que atendam o campo de produção de desejo. De efetivação política existencial.

 

 

 

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