FK7 INvasores de Cérebros

Esse pequeno texto foi escrito com a finalidade de anunciar uma das programações de carnaval organizada por punks que se reúnem em Cuiabá, no bairro Renascer, na batcarverna, como é conhecida a casa de Batman, reduto de encontro e ensaio de bandas. Essa programação consiste em tocar essa fita k-7 que é a gravação de um show feito pela banda Invasores de Cérebros no ano de 2015, fazendo jus a teimosia e rebeldia punk ao ir contra a velocidade tecnológica e nos presenteando nesses tempos tão vazios de uma postura contraventora com um show vibrante, perturbador, filosófico, poético… Êra punk aí galera do Invasores!

O que poderia nascer no meio do lixo e da miséria? No meio da desumanidade que vemos todos os dias, sempre coletiva mas repetida na mídia e na moral e nos bons costumes como se fosse sempre o outro aquele que está na pior, como se o desastre da natureza não estivesse por dentro dos seus corpos, seu alimento curtido em sofrimento e peste, desastre biológico empurrado sobre todas as gargantas, todos envenenados. Leis sobre leis que emergem de um discurso dos detentores do poder para os despossuídos de moradia e de autonomia de criação no trabalho.

E aí é a hora de se fazer uma escolha e essa sociedade vê nascer os transgressores em seu próprio meio, gritando por liberdade de pensamento em meio a violência que reprime, encerra, seda, lobotomiza. Punk na rebeldia contra qualquer autoridade que queira prevalecer sobre outra concepção de mundo possível. O sistema se arquiteta em camadas e mais camadas de relações nas quais diferentes meandros de poder se entrecruzam e em sua fronteira acabam em radicalismo, policiamento e perda de conexão política contra os mesmos alvos em comum.


É nessa sociedade que um grito punk é uma explosão de revolta, uma agitação não só perante os poderes estabelecidos, do governo, da lei, das multinacionais que invadem e escravizam vidas, mas que se pronuncia diante de si mesmo e de qualquer autoritarismo que possa congelar a potência de uma rebelião. Por isso cabe a manifestação dentro do próprio movimento punk. Esse foi o grito que ouvi na fita-cassete gravada ano passado pela banda Invasores de Cérebros, enfrentando a “paz que não existe” ao vociferar de dentro movimento punk toda incongruência que limita o ser humano em sua luta político-existencial.


Uma luta punk contra a tirania da posse, da propriedade e dos novos e velhos artifícios de se escravizar. Contra toda essa modelagem de mundo baseado no desequilíbrio que gera violência contra o próprio planeta, pondo-o ao fim e simultaneamente se inocentando na própria crise da razão e da verdade.


É o que pode acontecer no meio do lixo e da miséria quando se trata de um punk. Se proliferar nas ruas da cidade. “Ou será que a vida é uma piada de mau gosto que nos contaram e que só a gente que não ri?” pergunta Ariel. 

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Um comentário sobre “FK7 INvasores de Cérebros

  1. uau! adoro textos assim: fortes, viscerais e de poesia refinada. é sempre bem vinda uma reflexão punk, crua e até indigesta, que relata uma experiência vivida sem ser uma espécie de paródia de si mesma. gritar, manifestar, pogar, se meter em tretas, não por uma porção da liberdade, mas pela liberdade inteira, completa, inegociável. êra punk! assim nos inspiramos uns/umas às/aos outrxs; assim convidamos novas pessoas para participar da destruição de todo autoritarismo! um brinde pra essa punkaiada em rebeldia de cuiabá!!!

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